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ir e vir

concurso de ideias para estudantes de arquitetura

 

“O direito à cidade vai além da liberdade individual de ter acesso aos recursos urbanos: é o direito de nos transformarmos ao transformar a cidade.”

- David Harvey e Andrew Harod [1]

 


Os desafios recentes atrelados à pandemia abrem nossa percepção para entender espaços públicos como ambientes de troca cultural e emocional, desafiando a noção estabilizada de “cidadãos racionais”, nos retratando como indivíduos guiados por paixões e emoções. Foi evidenciada a importância da mobilização coletiva e da responsabilidade individual, o comprometimento civil e o exercício mais consciente da cidadania, ainda que a partir de seu aparente avesso, o isolamento. No campo da arte e da arquitetura, o engajamento junto a agentes democráticos emergentes não-
governamentais se potencializa como tarefa crítica. O bem-estar do processo democrático está ligado à capacidade de expressão, individual e de grupos remotamente articulados, bem como à saúde emocional e mental. O espaço público pode ser entendido na dualidade entre emoção e silêncio, como uma zona potencial de dizer a verdade, onde verdade e coragem se encontram.
[2] Essa zona é o que pode nos envolver ativamente na recuperação de traumas. A tensão entre silêncio e
verdade nos espaços públicos é agora, mais do que nunca, desafiada pela sobreposição de riscos à saúde e a convivência pública. Nesse contexto, é possível vislumbrar o nascimento de uma nova ética do espaço público, particular ao processo de fechamento e abertura das cidades.

As restrições de mobilidade recentemente nos tornaram mais locais do que nunca. Desenvolvemos uma crescente apreciação por nossos entornos mais imediatos, da janela de uma sala aos olhos sorridentes de um vizinho. Em um mundo de colapso social e ambiental, somos convidados a nos acolher em nossas origens culturais e contornos físicos imediatos. O cotidiano se dá entre o café, o entregador, o porteiro e a internet, pequenos rituais de separação e o fingimento da transição.
Ganhamos sensibilidade em relação ao doméstico e ao ambiente urbano e natural de uma maneira que poderia ser considerada, ao mesmo tempo, hiper-global e anti-global. O uso cotidiano intensificado dos meios digitais nos insere num convívio virtual fantástico. Nossa capacidade de estar em qualquer lugar virtualmente nos leva à sensação simultânea de um todo-lugar e de um lugar-nenhum.

Ir e Vir convoca estudantes de arquitetura a ponderar sobre o impacto dessas dualidades em nosso imaginário e seus rebatimentos sobre o fazer da cidade contemporânea através de projetos de arquitetura. Vivamente inseridos em um presente histórico intensificado, reconhecemos a necessidade de elevar o caráter experimental do projeto ao instigar novas reflexões sobre a arquitetura e os processos urbanos recentes decorrentes da pandemia. Três situações de projeto poderão ser abordadas separadamente ou em conjunto.

1. HARVEY, David e HAROD, Andrew. Social Justice and the City. Athens: University of Georgia Press, 2009, p.315. 2. WODICZKO, Kristoff. ”Art, Trauma, and Parrhesia”, Ethics of The Urban: The City and The Spaces of The Political, MOSTAFAVI, Mohsen (ed.). Zurich: Lars Müller, 2017.

EIXOS TEMÁTICOS

1. O edifício que respira
2. Pavilhão da consciência coletiva
3. Cidades e vizinhanças
 
 

FINALISTAS

Arthur Gomes Frensch

Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro/RJ

Gabriel Perucchi

Universidade de Brasília, Brasília/DF

José Eduardo Ramos Rigon

Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro/RJ

Marcos Paulo De Freitas Cambui

Universidade de Brasília, Brasília/DF

Alexandre Martins de Oliveira

Universidade de São Paulo, São Paulo/USP

Leonardo Botene da Silva

Universidade Estadual de Campinas, Campinas/SP

Mateus Paulichen

Universidade Estadual de Campinas, Campinas/SP

MENÇÕES HONROSAS

Anna Clara de Oliveira Rocha e Silva

Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro/RJ

Gabriela Costa Mello

Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro/RJ

Júlia da Silva Grangeiro Cardoso

Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro/RJ

Rebeca Parreiras

Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro/RJ

Caio de Oliveira Araújo

UniAcademia - Centro Universitário, Juiz de Fora/MG

Gabriela Dias de Oliveira

UniAcademia - Centro Universitário, Juiz de Fora/MG

JÚRI

Nelson Brissac

PUC-SP

Guilherme Lassance

FAU-UFRJ

Pablo Benetti

FAU-UFRJ

Mara Eskinazi

FAU-UFRJ

Diego Portas
FAU-UFRJ

Margareth Pereira

FAU-UFRJ

Gustavo Rocha-Peixoto

FAU-UFRJ

Marina Correia

FAU-UFRJ

Organizadora

Ana Slade

FAU-UFRJ

Organizadora

Giovany Bicalho

FAU-UFRJ

Monitor DPA

Renan Vargas

FAU-UFRJ

Monitor DPA

5 FINALISTAS

+ MENÇÕES HONROSAS

Apreciação dos Trabalhos


As propostas serão divulgadas e comentadas pela comissão julgadora em conferência virtual no dia 24 de Novembro de 2020. Os trabalhos serão analisados por um grupo de professores e arquitetos em duas etapas. Na primeira, a comissão julgadora é composta por docentes da instituição organizadora, FAUUFRJ. Na segunda, a comissão julgadora é composta por avaliadores externos convidados, que definirão a seleção final das propostas. Até 5 trabalhos serão qualificados como finalistas, sem classificação. Menções honrosas poderão ser atribuídas por membros do júri externo.

Os trabalhos serão publicados em meios impressos e digitais, buscando-se a mais ampla divulgação dos resultados em plataformas virtuais de arquitetura e urbanismo. É prevista também a montagem de uma exposição itinerante nacional, a ser compartilhada pelas instituições de ensino envolvidas.

 
 

ORGANIZAÇÃO

Marina Correia (coord.)

Ana Slade

Giovany Bicalho (monitor)

Renan Vargas (monitor)

Departamento de Projeto de Arquitetura e Grupo de Pesquisa UrCA - prourb.

Faculdade de Arquitetura e Urbanismo | Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Ilustração: Miguel Angel Palacios Carrasco

Trabalho Final de Graduação 2019 FAUUFRJ

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